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Tratamento Cirúrgico |
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sábado, 26 de novembro de 2005 |
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Conhecimento anatômico; Indicações cirúrgicas precisas baseadas no conhecimento das patologias que acometem as mamas; Avaliação pré–operatória adequada; Estadiamento clínico completo frente à neoplasia invasora; Planejamento Cirúrgico: w Revisão cirúrgica; w Atitude frente ao resultado anatomopatológico; w Estratégia de seguimento e controle;
Posicionamento da Incisão A via de acesso para a cirurgia da mama pode definir o resultado estético-terapêutico imediato. As lesões e tumores ocorrem aleatoriamente nas mamas, tendo uma maior incidência nos quadrantes externos e central da mama . Na prática , temos que ter sempre presente que toda cirurgia de caráter diagnóstico-terapêutico deve seguir uma abordagem com critérios oncológicos. É importante enfatizar este aspecto porque, atualmente, crescem as indicações de intervenções em lesões pré-clínicas diagnosticadas, em sua grande maioria, pela mamografia de rotina. Aproximadamente 20 a 25% destas lesões terão, posteriormente, um diagnóstico de câncer e seja este carcinoma invasor ou "in situ" , o tratamento definitivo poderá ser comprometido se: a incisão estiver mal posicionada , as margens forem inadequadas ou a peça cirúrgica for fragmentada inviabilizando a análise das mesmas. Portanto, é extremamente importante o planejamento prévio, pois a "biópsia excisional" de lesões sub-clínicas suspeitas deve ser : diagnóstica e terapêutica. As cicatrizes são marcas permanentes, sendo aconselhável posicioná-las em áreas onde sejam menos aparentes, como na junção aréolo-cutânea, no sulco inframamário e, sempre que possível, ocultáveis pelo vestuário casual. FIG. 1 Sutiã A escolha da incisão deve respeitar as linhas de Langer, que possibilita a sutura respeitando as linhas de força da pele. A maioria das lesões da mama podem ser acessadas por incisões arciformes independente do setor em que se encontrem, em raras ocasiões, incisões radiadas serão empregadas. Tumores situados próximos à porção central, sem extensão à pele, devem ser abordados através de incisão periareolar, sempre que esta via permitir um campo adequado. Eventualmente, tumores localizados na projeção axilar da mama, podem ser acessados através de incisão axilar. Toda incisão planejada na mama deve ser previamente desenhada com caneta cirúrgica ou azul de metileno; para iniciar a cirurgia solicitamos ao auxiliar que exponha a área a ser incisada, realizando uma tração centrífuga em relação ao ponto de incisão, empregando as duas mãos. Habitualmente, empregamos um bisturi de lâmina 15 para incisar a pele pois proporciona maior precisão.
IMPORTANTE: O comprimento da incisão deve ser suficiente para fornecer um acesso confortável a área de ressecção. IMPORTANTE: As incisões muito pequenas dificultam a ressecção dos tumores, freqüentemente obrigando à fragmentação do tumor e prejudicando a avaliação das margens de segurança. Não raramente, as bordas da incisão são severamente traumatizadas, propiciando maceração e deiscência da sutura obtendo, ao contrário do imaginado, um pobre resultado estético.
A qualidade das cicatrizes é produto de fatores locais e genéticos. Os fatores locais importantes na prática são: traumatismo e sofrimento das bordas da incisão, levando à epidermólise, descamação local e pequenas perdas superficiais; excesso de material de sutura na derme e subcutâneo; suturas muito apertadas, com isquemia das bordas; sutura com muita tensão; hematomas; infecção no pós-operatório; reação ao material de sutura com formação de granulomas de corpo estranho; fatores genéticos, como a predisposição a cicatrizes hipertróficas e quelóides.
Formas de Ressecção Mamária A incisão é realizada mantendo o tumor alinhado com o raio do setor mamário ; projetamos uma ressecção fusiforme , nas mamas com predomínio de tecido fibroglandular e nas lipossubstituidas de pequeno volume; já as mamas médias ou grandes , predominantemente lipossubstituidas permitem ressecções ovóides ou cilíndricas. Ressecção tipo I: fusiforme. Ressecção tipo II: ovóide.
Tumores localizados nas porções médias das mamas têm acesso facilitado deslocando a linha de incisão em direção ao tumor, respeitando o raio do setor comprometido. Tumores localizados nas proximidades do sulco infra-mamário podem ser abordados através deste. Se o tumor estiver comprometendo a pele , esta deve ser incluída na ressecção. Volume de Ressecção e Dano Estético O primeiro passo na avaliação do dano estético é entender que as mamas normais apresentam variações de forma e volume e que pequenas assimetrias são extremamente comuns. Nas pacientes virgens de intervenção , nas quais a abordagem cirúrgica pode ser planejada com o tumor "in loco", temos a oportunidade de delinear a melhor estratégia para a ressecção do tumor com margens e ao mesmo tempo , posicionar bem a cicatriz, visando a reparação da forma e da silhueta da mama , minimizando a assimetria gerada pela cirurgia. Devemos atentar para que o volume tumoral esta diretamente relacionado ao volume total de ressecção. O fundamento básico é compreender a inter-relação entre o volume do tumor ( VT ) versus volume da mama ( VM ).
VTR / VM < 1/5 : Geralmente com boa simetria em relação a mama oposta. VTR / VM > 1/5 : Freqüentemente associada com assimetria que necessita cirurgia de simetrização da mama oposta.
demarcar com precisão a área do tumor; planejar a incisão e a área de ressecção com a paciente sentada; avaliar a necessidade de ressecção de pele; VTR / VM < 1/5 = adequado à cirurgia conservadora ; VTR / VM > 1/5 = necessita cirurgia de simetrização ; O eletrocautério é um excelente instrumento e um valioso auxiliar no ato cirúrgico, porém exige perícia e bom senso. Seu uso de forma inadequada freqüentemente provoca lesão térmica, com necrose gordurosa e reação inflamatória, provocando exsudação e formação de seroma no pós operatório. ATENÇÃO: As mamas com predominância de tecido fibroglandular, ao contrário das lipossubstituidas, têm boa tolerância a ação do cautério.
IMPORTANTE: As lesões provocadas pelo eletrocautério podem determinar artefatos na peça cirúrgica de difícil avaliação no exame anatomopatológico, portanto é importante que o plano de ressecção de lesões malignas ou suspeitas de malignidade quando forem realizadas com eletrocautério mantenha uma distância segura da lesão suspeita.
Retirada a peça cirúrgica, é feita uma minuciosa revisão da hemostasia, os pontos sangrantes são controlados com eletrocautério e a cavidade é irrigada com solução fisiológica gelada ou resfriada. O vasoespasmo melhora as condições imediatas de hemostasia e diminui o edema pós-operatório.
RECOMENDAÇÃO: Recomendamos o emprego de cautério bipolar para o controle de pontos sangrantes e cauterização de pequenos vasos na intervenção da mama e axila, especialmente quando estamos próximo a estruturas vásculo-nervosas durante a dissecção axilar. A aproximação primária dos tecidos , pode provocar retração na pele e distorções na forma do cone mamário. É necessário realizar um descolamento amplo dos planos anterior e posterior da mama para aproximar os retalhos sem tensão . No plano superficial , é efetuado um descolamento dermogorduroso , para permitir a reacomodação da pele sobre seu conteúdo. Os retalhos glandulares são aproximados com suturas simples , com fio absorvível (monofilamentar de absorção lenta 2.0 - 3.0), remodelando e obliterando o defeito criado pela remoção da peça, restituindo à mama operada forma e silhueta harmônica. A camada subcuticular é aproximada com fio absorvível 4.0 ou 5.0 , pontos simples com nó invertido e a pele ,com sutura intradérmica com mononylon( 4.0 ou 5.0) ou fio monofilamentar absorvível ( 4.0 ou 5.0 ). Quando persistir um sangramento lento e poroso, deixamos um dreno em aspiração por 24 horas e empregamos curativo compressivo nas primeiras horas. A incisão é coberta com fita cirúrgica. O curativo de contenção é realizado com fita cirúrgica que auxilia na imobilização da mama e na reacomodação da pele. O sutiã cirúrgico é o curativo de sustentação, auxiliando na imobilização das mamas e tornando o pós-operatório menos dolorido e mais confortável . A Mama Adiposa A mama com predominância de tecido adiposo é extremamente sensível ao traumatismo cirúrgico, reagindo com reação inflamatória importante à manipulação dos tecidos, ao uso do eletrocautério, ao material de sutura, e à radioterapia complementar. Mamas lipossubstituidas podem apresentar quadro de necrose gordurosa com fibrose, calcificações , cistos oleosos e áreas de difícil avaliação clínica, as vezes simulando um quadro de recidiva local . Nestas mamas , devemos ter cuidados redobrados: hemostasia rigorosa e seletiva (damos preferência ao uso de cautério bipolar pela menor lesão térmica dos tecidos); irrigação freqüente e abundante da ferida operatória com solução salina para remoção de debris e coágulos; empregamos pouco material de sutura, apenas aproximando gentilmente os tecidos e, muitas vezes, quando a acomodação da mama preenche o leito tumoral adequadamente , não utilizamos suturas. Mamas com volume estimado acima de 500 gramas podem ser sempre beneficiadas pela redução de volume, pois estas mamas quando submetidas à radioterapia , freqüentemente, apresentam edema persistente que resulta em fibrose, sensação de peso , dor e desconforto prolongado, além de ter difícil seguimento clínico.
Cuidando das Margens
Material Cirúrgico Recomendado
Instrumental básico de utilização nas cirurgias da mama: compasso; fita métrica flexível ou não; caneta com tinta não solúvel ou tintura de azul de metileno; mamilótomos. cabos de bisturi números 3 e 4; lâminas de bisturi números 11, 15, 20 e/ou 22; tesoura de Matzembaun e Mayo; tesoura reta de uso geral (secção de fios); tesouras retas e curvas delicadas para a pele bisturi elétrico - mono e/ou bipolar; Pinças de dissecção anatômicas, com e sem dentes; pinças de Addison para sutura delicada com e sem dentes ; pinça de "Roussean" para a dissecção axilar, para melhor preensão da gordura do conteúdo axilar; As pinças de fixação dos campos cirúrgicos ("Backaus") podem ser utilizadas na preensão dos bordos cutâneos - derme - para melhor exposição do campo operatório; As pinças de Kocher, longas, robustas e com dentes podem ser utilizadas para preensão do parênquima mamário, também para melhor exposição do campo operatório. Pinças de Kelly e Crile; Pinças de Halsted (mosquito); eletrocautério - mono e bipolar afastador de "Gilles": afastamento delicado das bordas cutâneas e derme; afastador de Farabeuf: afastamento de pele, subcutâneo e músculos em plano superficial; afastador de Doyen: originalmente utilizado para a cavidade abdominal, pode ser adaptado, com ou sem fonte de luz, para a exposição do campo cirúrgico durante o esvaziamento axilar, dissecção de retalhos miocutâneos e mastectomia poupadora de pele; Porta-agulhas; ( adequados para cirurgia de superfície e delicados ) Agulhas, de variados tipos - cilíndrica, cilíndrica-triangular e triangular, de acordo com o tecido e tipo de sutura a ser realizada.
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O mastologista com visão Oncoplástica deve observar os critérios de predição de cosmese nas intervenções estético-terapêuticas das mamas.
Estes itens devem ser avaliados associados e individualmente para um planejamento pré-operatório com visão oncoplástica buscando encontrar para cada paciente uma nova realidade estética.
A incorporação da cirurgia oncoplástica como elemento fundamental no tratamento do Câncer da mama e em particular considerando a importância da imagem corporal no bem estar e ajuste psicossocial no curso do tratamento do Câncer da mama, é imperativo que a toda paciente submetida à cirurgia com dano estético tenha à possibilidade de reparação.
A Mastologia moderna deve sempre considerar ou deveria considerar a valorização da forma anatômica na construção figurativa da imagem corporal; o contato visual com a mama objeto da doença no pós-operatório deve construir uma figuração estética positiva que é fundamental para o bem estar da paciente.
O Mastologista com formação oncoplástica é capaz de avaliar se o tipo de tumor, tamanho e sua localização na mama ou se o emprego de terapia neoadjuvante vai permitir uma cirurgia na mama com resultado cosmético adequado.
Dr. Jorge Villanova Biazús
Médico Mastologista
Professor da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Chefe do Setor de Cirurgia Reparadora da Mama do Serviço de Mastologia do HCPA
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