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Aproximadamente 90% de todos os câncer de
mama ocorrem nos ductos ou nos lóbulos, 80% de todos os casos iniciam nas
células de revestimento dos ductos mamários. Este tipo de câncer é chamado
de CARCINOMA DUCTAL . O câncer que inicia nos lóbulos é chamado de CARCINOMA
LOBULAR e é bilateral em 30% dos casos.
Se a doença rompe o ducto e atinge os tecidos em volta , é chamado
de infiltrativo ou invasor, assim pode ser : carcinoma ductal invasor ou
carcinoma lobular invasor. A doença que está contida dentro dos ductos é
chamada de "in situ", ou seja, é um processo localizado. A evolução da
doença "in situ" , bem como seu tratamento depende da extensão e localização
do processo. Atualmente a maioria dos mastologistas recomendam a
ressecção cirúrgica do Carcinoma Ductal "in situ" com margem de segurança
seguida de radioterapia localizada para prevenir sua evolução para
câncer invasor.
Outros tipos de Câncer de Mama menos freqüentes são: tipo
medular, mucinoso, tubular e papilar, correspondendo a menos de 10% de todos
os casos. A Doença de Paget é um tipo raro de carcinoma "in situ" que se
inicia nos ductos do mamilo.
As células do Câncer de Mama podem migrar para os vasos sanguíneos e
vasos linfáticos e linfonodos. Os linfonodos podem se localizar na região
axilar, região supra-clavicular , região cervical e mamária interna.
Aproximadamente 95% da drenagem linfática da mama se dirige para os
linfonodos axilares. Os locais mais comuns de metástases a distância ou
disseminação da doença são: a pele , linfonodos, ossos , pulmão e fígado.
CLASSIFICAÇÃO HISTOLÓGICA
Os carcinomas são a maioria das neoplasias malignas da mama, sendo o
carcinoma ductal infiltrativo (invasor), o tipo mais comum.. O carcinoma de
mama surge na unidade lobular-ductal terminal. Aqui descrevemos os tipos
histológicos mais comuns e importantes na classificação da Organização
Mundial da Saúde e os principais fatores prognósticos associados ao
carcinoma de mama.
Carcinoma ductal in situ
O carcinoma ductal in situ (CDIS), ou intraductal, caracteriza-se por
uma proliferação de células malignas dentro de um ducto, não ultrapassando
os limites da membrana basal , não invadindo o estroma, associada a uma
hipercromasia e pleomorfismo nuclear, com alteração da orientação celular do
revestimento epitelial. Essas células podem proliferar e obstruir
completamente a luz dos ductos, causando sua dilatação e sua solidificação.
À medida que a lesão progride, estendendo-se através da membrana basal e
invadindo o estroma, transforma-se em um carcinoma invasor.
Na década de 80, nos Estados Unidos, o CDIS representava 2% dos cânceres de
mama,atualmente com o uso do rastreamento mamográfico, a incidência dessa
patologia aumentou mais de 200% nas mulheres acima de 50 anos, nos últimos
10 anos.
Clinicamente, pode apresentar-se como uma massa palpável, como derrame
papilar ou, mais comumente na atualidade, como alteração mamográfica (microcalcificações
e formação nodular não-palpável).
O CDIS pode ser
dividido, histologicamente, em subtipos:
• Tipo
comedocarcinoma apresenta detritos necróticos celulares, preenchendo os
espaços ductais, lembrando comedões, como sugere o seu nome.
Histologicamente, observa-se uma área central ocupada pelo material
necrótico envolvido por células neoplásicas com núcleos pleomórficos e
atípicos, com citoplasma amplo .
• Tipo
micropapilar caracteriza-se por projeções papilares homogêneas, sem um
eixo conjuntivovascular, na superfície interna dos espaços ducto-lobulares.
• Tipo
cribriforme (do latim cribrare, que significa "peneira") um
carcinoma in situ que apresenta espaços glandulares nítidos e
marcados. Possui mitoses infreqüentes e, eventualmente, ocorre algum grau de
necrose limitado a poucas células.
• Tipo sólido
apresenta o lúmen ocupado por uma proliferação de células de tamanho médio,
menores que as do tipo comedocarcinoma e maiores do que as encontradas no
carcinoma lobular in situ.
Em termos de prognóstico, quanto maior o tamanho e o grau de necrose da
lesão, maior o seu potencial para tornar-se invasora. As lesões do tipo
comedocarcinoma apresentam prognóstico menos favorável comparado aos outros
tipos histológicos. Aproximadamente 25% a 30% das lesões in situ,
não-tratadas, desenvolvem carcinoma invasor nos próximos 10 anos.
Carcinoma lobular in situ
O carcinoma lobular in situ (CLIS) foi primeiramente descrito na
década de 40. Sua incidência é baixa, representando em vários estudos 0,5 a
3,6% dos espécimes de biópsias de mama presumivelmente benignos. Não costuma
ser palpável em exame clínico e não possui alteração específica em
mamografia. A idade média no diagnóstico é de 45 anos, e 80 a 90% dos casos
são encontrados em pré-menopáusicas. Essas lesões têm reconhecida tendência
à multifocalidade, sendo que a bilateralidade ocorre em aproximadamente 25%
dos casos.
A lesão caracteriza-se pela proliferação de células pequenas e uniformes no
interior de ductos terminais e lóbulos, podendo, algumas vezes, estender-se
a ductos extralobulares. Suas células apresentam baixas taxas proliferativas
e são semelhantes às encontradas na hiperplasia lobular atípica, porém,
nessa, com acometimento menor. Segundo alguns autores, para caracterizar o
CLIS, é necessário que pelo menos metade de um lóbulo esteja preenchido por
células características.
A evolução do CLIS pode ser bastante variável. Aproximadamente 20 a 30% das
pacientes apresentarão desenvolvimento de carcinoma infiltrante em 15 anos,
sendo 50% em cada mama, 75% do tipo ductal invasor e 25% lobular invasor.
Baseada nessa evolução, tal lesão é reconhecida como um marcador tumoral,
embora alguns autores, recentemente, também lhe tenham atribuído um caráter
precursor.
Carcinoma ductal
invasor
O carcinoma ductal invasor (CDI) representa 80%a 90% dos carcinomas da
mama. Na verdade seu diagnóstico é por exclusão, feito quando a lesão não
preenche os critérios diagnósticos para os tipos especiais de carcinoma
mamário, sendo classificado como carcinoma ductal infiltrante sem outra
especificação (SOE). Os carcinomas ductais de tipo especial (medular,
tubular, etc.) compreendem 10 a 20% dos carcinomas invasivos, apresentam
melhor prognóstico quando comparados ao CDI-SOE. Para que uma lesão seja
classificada como de tipo especial, é necessário que ela seja composta quase
que completamente (90% de um tumor) pelas características histológicas do
tipo em questão. Quando um carcinoma ductal apresenta apenas pequenos focos
de um tipo específico, o tumor continua sendo classificado como CDI-SOE.
Macroscopicamente, forma um nódulo sólido ou uma área de condensação no
parênquima, de coloração acinzentada ou branquicenta, em geral endurecidos,
com consistência de pêra verde ao corte (carcinoma cirroso), o que depende
da quantidade de fibrose de estroma, da elastose peritumoral e da presença
de necrose e de calcificações relativamente grosseiras. As lesões podem ser
espiculadas ou circunscritas. Aproximadamente um terço dos carcinomas
apresenta margens circunscritas (na mamografia ou na macroscopia), e esses
costumam ter melhor prognóstico.
Histologicamente, o tumor é formado pela proliferação de elementos
epiteliais com atipias citológicas relativamente acentuadas, com uma
tendência diversa a formar estruturas pseudoglandulares ou semelhantes aos
ductos, e com atividade mitótica variável. A avaliação histológica destas
características (formação de túbulos, atipias nucleares e índice mitótico)
serve para graduar o CDI: bem diferenciado (G1), médio grau de diferenciação
(G2) e pouco diferenciado (G3).
As características citológicas variam muito, podendo ser encontradas desde
células pequenas com núcleos homogêneos até células grandes com núcleos
irregulares e hipercromáticos. Nas margens da massa tumoral, as células
neoplásicas infiltram-se para dentro do estroma e do tecido fibroadiposo e,
com freqüência, há uma invasão dos espaços perivasculares e perineurais, bem
como dos vasos sangüíneos e linfáticos.
É freqüente a associação com um componente intraductal (em geral, do mesmo
grau) com extensão variável. Denomina-se componente intraductal extenso (CIE)
quando este constitui pelo menos 25% de toda área ocupada pela neoplasia,
correlacionado com maior ocorrência de recidivas locais após cirurgia
conservadora da mama.
Carcinoma Tubular
Representa um dos tipos especiais de carcinoma ductal, muito bem
diferenciado, constituindo 2% dos carcinomas da mama. Possui bom prognóstico
e, para isso, a lesão deve ser constituída por, no mínimo, 75% de elementos
característicos; caso contrário, é considerado carcinoma tubular misto.
Incidem em mulheres relativamente jovens, entre 44 e 49 anos.
Geralmente, apresenta-se como tumor pequeno com média de 0,8 cm (em alguns
estudos), dificilmente ultrapassando 4 cm. O tumor tem consistência
firme-endurecida, com coloração branco-acinzentada e aspecto estrelado ao
corte. Histologicamente, a lesão é composta por proliferação de túbulos
glandulares, de forma irregular, revestidos por uma única fila de células
bem diferenciadas, homogêneas, freqüentemente apresentado secreção apócrina.
O estroma adjacente aos túbulos é abundante, fibrótico e com elastose.
Calcificações são encontradas em 50% dos casos, geralmente no componente
intraductal, que pode ser visto em 60 a 80% dos tumores. A freqüência de
acometimento de linfonodos axilares é 9% e, quando ocorre, geralmente não
mais do que três linfonodos do nível I são positivos. O prognóstico é
extremamente favorável.
Carcinoma Medular
O carcinoma medular representa até 7% dos carcinomas mamários. Ocorre
principalmente em mulheres mais jovens (< 35 anos), sobretudo se
pertencentes a famílias com alterações genéticas em BRCA-1 e BRCA-2.
Macroscopicamente, são tumores bem-delimitados, circunscritos, densos com 2
a 3 cm de diâmetro, acinzentados, com consistência firme, sendo, muitas
vezes, confundidos, no exame físico, com fibroadenomas.. Pode ocorrer
degeneração cística em tumores maiores. Histologicamente, é caracterizado
por células pouco diferenciadas, alto índice mitótico, presença de um
intenso infiltrado linfoplasmocitário e um padrão sincicial de proliferação
(tapete sólido de células). Apesar de suas características histológicas de
neoplasia pouco diferenciada e ausência de receptores hormonais, o carcinoma
medular é uma neoplasia com prognóstico relativamente favorável.
Carcinoma Mucinoso
O carcinoma mucinoso, também conhecido como colóide, mucóide ou gelatinoso,
constitui de 1 a 2% dos carcinomas da mama em geral, e representa 7% dos
carcinomas em mulheres maiores de 75 anos. Caracteriza-se pela presença de
abundante secreção mucinosa no tumor (quase totalmente extracelular), sendo
que a quantidade relativa de mucina e de estroma determina a consistência da
lesão, que pode ser macia, gelatinosa ou firme. Usualmente, o tumor é
circunscrito e de aparência mucinosa ao corte. O bom prognóstico é reservado
às formas puras de carcinoma mucinoso, sendo muito importante excluir as
formas não-puras. Como exemplo disso, aproximadamente 60% dos carcinomas de
mama produzem algum grau de mucina, não devendo ser classificados como
mucinosos. Também não deve ser confundido com o carcinoma de células em anel
de sinete (uma variante do carcinoma lobular invasor), no qual a secreção é
intracelular, ao passo que no mucinoso a mucina é extracelular. É
considerado um tumor de bom prognóstico.
Carcinoma Papilífero
O carcinoma papilífero constitui de 1% a 2% dos carcinomas mamários e
caracteriza-se por uma arquitetura papilar do componente invasor e do
intraductal. Ocorre mais freqüentemente nas mulheres idosas (idade média
entre 63 e 67 anos).
Sua freqüência na área central da mama é 46%, sendo que 22% a 34% das
pacientes apresentam derrame papilar. O tumor é circunscrito, podendo ser
lobulado e com um diâmetro médio de 3 cm ao diagnóstico; às vezes, apresenta
componente cístico. Tem crescimento lento, podendo, em alguns casos,
comprometer toda a mama, principalmente quando for cístico e invadir a pele.
Pode haver dificuldade em distinguir histologicamente alguns papilomas
papilíferos intraductais de um papiloma dos ductos. Também é considerado um
tumor de prognóstico.
Carcinoma lobular invasor
O carcinoma lobular invasor (CLI) constitui de 10 a 14% dos carcinomas
mamários. A idade média ao diagnóstico varia de 45 a 56 anos. A maioria das
pacientes apresenta apenas um adensamento ou um endurecimento local mal
definido, por vezes, surgindo como uma nodularidade palpável. Em lesões
avançadas, pode haver retração de pele e fixação. Em geral, as calcificações
não estão presentes na lesão, mas podem aparecer em lesões benignas
adjacentes. O CLI tende a ser freqüentemente multifocal e/ou multicênctrico.
A bilateralidade é descrita em 6% a 28% dos casos.
Histologicamente, a lesão caracteriza-se pela presença de células tumorais
pequenas e homogêneas, semelhantes ao carcinoma lobular in situ, e crescem
em "fila indiana" com um padrão concêntrico, circundando os ductos mamários
residuais, com formação de crescimento "em alvo". Algumas vezes, observa-se
vacúolos de secreção no citoplasma das células neoplásicas, deslocando o
núcleo para a periferia da célula, conferindo à célula um aspecto de células
em anel de sinete, sendo, então, classificada como um subtipo de carcinoma
lobular invasor, chamado de carcinoma com células em anel de sinete. Essa
lesão apresenta mucina intracelular e não deve ser confundida com o
carcinoma mucinoso, que possui prognóstico bastante favorável. Em muitos
casos, é possível identificar um componente de carcinoma lobular in situ.
O prognóstico é
semelhante ao CDI-SOE, sendo que o tamanho tumoral e o status axilar
são os mais importantes fatores prognósticos.
Carcinoma inflamatório
O carcinoma inflamatório constitui de 1 a 3% dos cânceres de mama, sendo uma
de suas formas mais agressivas, cuja apresentação clínica caracteriza-se
pelo predomínio dos fenômenos inflamatórios da pele da mama (flogose,
eritema, aumento da temperatura local e nítido edema com espessamento
cutâneo). Essa apresentação clínica resulta da embolização tumoral em vasos
linfáticos dérmicos. O quadro pode evoluir para lesões ulcerativas.
A maioria das pacientes possui um carcinoma invasivo subjacente, geralmente
de volume grande e de localização central. De fato, tal carcinoma não
representa um tipo histológico, e sim uma entidade clínica. Usualmente, o
tipo histológico de origem é o carcinoma ductal invasor e, raramente, um
carcinoma lobular invasor ou mucinoso. O tumor do carcinoma inflamatório é
classificado com um T4d.
Histologicamente, caracteriza-se por uma invasão dos linfáticos da derme e,
às vezes, o diagnóstico clínico não encontra correlação na histologia. O
prognóstico dessas lesões é ruim. Com a entrada da quimioterapia
neoadjuvante no tratamento do carcinoma inflamatório, a taxa de sobrevida em
cinco anos chega até 50%.
Doença de Paget
A Doença de Paget representa 0,7 a 4% dos cânceres de mama. Caracteriza-se
por alteração unilateral do mamilo e/ou da aréola, que pode incluir
vesículas areolares recorrentes, eczema eritematoso crônico, lesão
psoriática e até uma lesão erosiva (Figura 15.2). Prurido e aumento da
sensibilidade são freqüentes. Geralmente, a lesão aparece na papila,
estendendo-se à aréola e, raramente, à pele adjacente. Em praticamente todos
os casos, é encontrada uma lesão maligna subjacente, sendo o carcinoma
intraductal em 65% e o carcinoma ductal invasor em 30% das vezes.
Aproximadamente 60% das pacientes com doença de Paget apresentam massa
palpável, e as demais, geralmente, apresentam mamografias alteradas.
O diagnóstico de Paget é realizado na microscopia em que se identificam
células claras grandes com núcleos atípicos, denominadas células de Paget,
concentradas na membrana basal da epiderme. A origem dessas células é
controversa. A teoria mais aceita é a de que a célula migraria de um tumor
intraparenquimatoso através dos ductos até o epitélio papilar. Outra
hipótese sugere o inverso: que a célula maligna originar-se-ia da própria
epiderme. O estadiamento depende do tamanho da lesão. Quando a lesão está
restrita à papila, sem massa tumoral ou carcinoma invasor associado é
classificada como Tis. (classificação TNM). O prognóstico e o tratamento
dependem da presença ou não de lesão subjacente .
Tumor Filodes
O tumor filodes, antigamente chamado de cistossarcoma filodes, é uma
neoplasia composta por elementos epiteliais e mesenquimais de comportamento
bastante variável. Não é muito freqüente, representando 2% - 3% dos tumores
fibroepiteliais. Apresenta maior freqüência entre os 30 e 40 anos de idade.
Macroscopicamente, o tumor é arredondado, bem-circunscrito e firme,
apresentando diâmetros que variam de menos que 5 cm até 20 cm. Ao corte, é
acinzentado a branquicento, apresentando áreas sólidas e degeneração
cística, podendo haver necrose e hemorragia.
Microscopicamente, apresenta hipercelularidade estromal e elementos
glandulares benignos. Seu diagnóstico diferencial com fibroadenoma pode ser
difícil. A quantidade e a aparência do componente estromal é que determinam
se a neoplasia é um fibroadenoma ou um tumor filodes. As características do
estroma, como atipia celular, número de mitoses, definição das margens
tumorais e relação com o componente glandular, são usadas na tentativa de
quantificar as chances de tal lesão comportar-se como maligna.
Histologicamente, as lesões são classificadas como benignas, borderline
ou malignas, mas nem sempre o curso clínico de uma lesão segue sua
classificação histológica. A recorrência local é encontrada em
aproximadamente 20% dos casos, com taxas similares para lesões benignas ou
malignas. Metástase a distância ocorre em menos de 5% de todos os tumores
filodes e em aproximadamente 25% dos classificados histologicamente como
malignos. As metástases são de origem estromal, preferentemente hemáticas, e
quase não há disseminação para linfonodos regionais.
FATORES PROGNÓSTICOS
INTRODUÇÃO
O câncer de mama apresenta uma progressão clínica variável para cada
paciente, por diferenças em relação ao crescimento tumoral, capacidade de
invasão, potencial metastático e outros mecanismos. Diante deste fato, é
importante o estabelecimento de variáveis no momento do diagnóstico ou
cirurgia, que possam ser associadas ao tempo livre de doença ou de sobrevida
geral na ausência da terapia sistêmica adjuvante, sendo essa a definição de
fator prognóstico.
A partir dos fatores prognósticos podemos prever a história natural do
tumor. Associado ao fator preditivo, definido como qualquer medida que possa
indicar o grau de resposta a uma terapia específica, é possível avaliar
quais terapias sistêmicas adicionais poderão modificar a evolução da doença,
em especial, a probabilidade de uma recorrência no futuro.
Os
fatores prognósticos podem incluir características demográficas (idade,
menopausa, etnia), características do tumor (estado linfonodal, tamanho
tumoral, tipo histológico), marcadores biológicos (oncogenes alterados,
genes supressores tumorais, fatores de crescimento, medidas proliferativas),
como revisados a seguir:
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Tipo Histológico
Os tipos histológicos que se correlacionam com melhor prognóstico são os
tipos especiais de carcinoma invasor, como o tubular, o papilífero, o
medular e o mucinoso. Os tipos especiais constituem menos de 10% dos
carcinomas da mama, mas apresentam-se, mais comumente, sem envolvimento
linfonodal e com menor número de gânglios acometidos, quando esses estão
invadidos. Apresentam menor risco de disseminação e de morte comparados ao
CDI-SOE e ao lobular invasor.
Merece destaque o carcinoma ductal in situ pelo seu excelente
prognóstico e pela taxa de cura de 98% quando submetido a tratamento
loco-regional. Com a ampliação da utilização de métodos de rastreamento –
mamografia – maior número de tumores mamários não-infiltrativos estão sendo
diagnosticados.
Linfonodos Axilares
O comprometimento metastático dos linfonodos axilares é o fator prognóstico
mais poderoso para as pacientes com câncer de mama, sendo o fator preditor
mais importante da sobrevida geral e da sobrevida livre de doença. Apenas
20% a 30% das pacientes com linfonodos negativos irão desenvolver
recorrência no período de 10 anos, comparado com 70% das pacientes com
envolvimento linfonodal axilar.
Vários estudos têm demonstrado uma relação direta entre o número de
linfonodos acometidos e o prognóstico clínico, com menor sobrevida livre da
doença. O número absoluto de linfonodos acometidos é fator prognóstico
importante: pacientes com 4 ou mais linfonodos positivos têm um pior
prognóstico. O envolvimento de linfonodos está associado a tumores maiores,
sendo relativamente independente de outros marcadores biológicos, como
presença de receptores hormonais e medidas de proliferação.
A maioria dos ensaios clínicos estratifica as pacientes em grupos de acordo
com o número de linfonodos positivos: linfonodos negativos, 1- 3 linfonodos
positivos, 4 – 9 linfonodos positivos, e 10 ou mais linfonodos positivos.
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Estadio |
Taxa de Sobrevida
em 5 anos |
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0 |
100% |
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I |
98% |
|
IIA |
88% |
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IIB |
76% |
|
IIIA |
56% |
|
IIIB |
49% |
|
IV |
16% |
Source: American Cancer Society
O exame clínico apresenta 30% de falso-positivo e 30% de falso-negativo, não
sendo acurado para tal, tendo o exame histológico dos linfonodos papel
fundamental.
Já está estabelecido que a dissecção dos linfonodos axilares oferece
importantes informações prognósticas, ainda é discutido seu uso terapêutico
para controle loco-regional. É consenso de que pacientes com carcinoma
ductal in situ não apresentam benefício de uma dissecção axilar, uma
vez que a incidência de acometimento axilar nessas pacientes é baixa e o seu
prognóstico clínico é bom. Realizamos a pesquisa do linfonodo sentinela
quando a axila apresentar-se clinicamente negativa, reduzindo a morbidade
associada a dissecção axilar; cabendo sempre a dissecção axilar no caso de
linfonodo-sentinela positivo, para avaliação do grau de comprometimento dos
linfonodos. O valor da dissecção axilar em pacientes com doença sistêmica,
metastática, é também questionável, não sendo realizada como rotina em nosso
serviço.
Micrometástases – Existe ampla discussão quanto ao
significado deste achado. Alguns estudos retrospectivos demonstram que o
prognóstico das pacientes com micrometástases em linfonodos axilares
(definida como < 2 mm de diâmetro) é o mesmo das pacientes com linfonodos
negativos. Focos de metástases microscópicas podem ser encontrados em 9% a
13% dos carcinomas de mama "linfonodos-negativos" através da histologia com
hematoxilina-eosina, este percentual aumenta para 15% a 20% dos casos em que
foi usada a imuno-histoquímica. Não existe diferença na sobrevida livre de
doença e sobrevida geral entre as pacientes com linfonodo-sentinela negativo
e presença de micrometástases por imuno-histoquímica no linfonodo-setinela;
no entanto, o significado prognóstico deste achado exclusivo por imuno-histoquímica
permanece controverso. A partir da pesquisa do linfonodo-sentinela,
ampliou-se a detecção das micrometástases.
Tamanho do Tumor
Quanto maior o tamanho do tumor, maior o risco de comprometimento
linfonodal, recorrência de doença e morte (Tabelas 15.1 e 15.2). No grupo de
pacientes com linfonos negativos, o tamanho do tumor é o fator prognóstico
mais poderoso e consistente da recorrência do câncer de mama. A recorrência
da doença geralmente aumenta à medida que o tamanho do tumor aumenta.
Embora, alguns tumores pequenos detectados pelo rastreamento precoce possam
apresentar intrinsecamente alta capacidade proliferativa e potencial
metastático, outros fatores devem ser considerados na avaliação prognóstica
destas pacientes além do tamanho tumoral.
Pacientes com tumores < 1,0 cm têm uma sobrevida geral próxima de 99%
comparado com 89% para tumores entre 1,0 cm e 3,0 cm, e 86% para tumores
entre 3 cm e 5 cm.
A freqüência de comprometimento de linfonodos axilares em pacientes com
tumores menores que 1,0 cm é 10% a 20%, e pacientes com linfonodos negativos
e tumores menores que 1,0 cm têm uma sobrevida livre da doença em 10 anos em
torno de 90%.
O Colégio Americano de Patologistas recomenda a medida do tumor em pelo
menos 2 dimensões, sempre considerando a maior dimensão do tumor invasor
para a determinação do estadiamento. O tumor é medido na macroscopia e
também na microscopia, se houver discrepância entre essa duas medidas, a
medida microscópica do componente invasor é aquela a ser usada para o
estadiamento. Nos tumores com componente invasor e in situ, a medida
do componente invasor determinará o estágio tumoral.
Grau Tumoral
O estadiamento tumoral, especialmente quando realizado por patologistas
treinados, correlaciona-se bem com o prognóstico clínico. Os sistemas de
estadiamento mais utilizados para o câncer de mama são a classificação de
Scarff-Bloom-Richardson (SBR), o qual foi modificado pelo grupo de
Nottingham.
O grau de diferenciação é avaliado de acordo com a habilidade do tumor em
originar formações tubulares, glandulares ou papilares. O pleomorfismo
descreve a forma do núcleo. O índice mitótico avalia o número de mitoses
encontradas na amostra do tumor. A soma dos pontos dos três componentes
determina os graus: 1 (bem diferenciado), 2 (moderadamente diferenciado) e 3
(fracamente diferenciado). Pacientes com um escore de SBR de 3 apresenta um
risco relativo de 4,4 comparado com aquelas com um escore de SBR de 1 para
tempo livre de doença por 5 anos.
O grau histológico é aplicável somente ao carcinoma ductal invasivo,
enquanto o grau nuclear pode ser determinado em todos os tipos histológicos.
O grau histológico tende a aumentar junto com o tamanho tumoral e o
acometimento linfonodal, com importante influência negativa no prognóstico.
O sistema de Fisher inclui uma análise do estadiamento nuclear e da presença
de formações tubulares ou glandulares. O estadiamento nuclear considera o
tamanho do núcleo, a forma, o componente nucleolar, o padrão de cromatina e
a taxa de mitose.
OUTROS FATORES HISTOLÓGICOS
Presença de componente intraductal extenso –
Definido como o carcinoma intraductal que ocupa ao menos 25% de toda a área
neoplásica e se estende além do componente infiltrante. Esta condição ocorre
em um quarto dos casos de CDI e é responsável por um aumento de 2 a 5 vezes
no risco de recidiva local nos 5 primeiros anos após a cirurgia.
Invasão Vascular Peritumoral - A Invasão vascular
e linfática peritumoral é um fator preditivo de recorrência local,
correlacionada à presença de metástases para os linfonodos, desta forma, sem
valor prognóstico independente em relação a sobrevida global das pacientes.
CARACTERÍSTICAS DA PACIENTE
Idade ao Diagnóstico
A influência da idade e do estado menopausal na época do diagnóstico sobre o
prognóstico da paciente permanece controversa. Pacientes mais jovens, com
menos de 35 anos, possuem uma evolução clínica pior do que as pacientes mais
velhas. Geralmente, as pacientes mais jovens apresentam tumores com
características prognósticas mais reservadas, como grau histológico 3 (G3),
componente intraductal extenso, invasão de vasos linfáticos, necrose e
infiltrado mononuclear. Também é mais comum nestas pacientes, entre 30 e 35
anos, maior envolvimento de linfonodos, maior tamanho tumoral, receptor
hormonal negativo, fração S negativa e anormalidade na p53. A idade jovem
permanece como um fator preditivo significativo de recorrência e morte
(mesmo após ajuste para outros fatores prognósticos).
Etnia
A sobrevida após o diagnóstico de câncer de mama é menor entre mulheres
negras e hispânicas do que em mulheres brancas. Provavelmente essa
disparidade deva ser multi-fatorial, incluindo fatores como menor acesso a
cuidados médicos, programas de rastreamento e diagnóstico em estágios mais
avançados. No entanto, há dados de que, mesmo após ajuste para estágio da
doença, as taxas de sobrevida são mais baixas para as mulheres negras.
MEDIDAS DE PROLIFERAÇÃO
Índice Mitótico
A fração de crescimento ou capacidade proliferativa é importante na evolução
do câncer de mama. O índice mitótico (IM) é um importante componente de
todos os sistemas de estadiamento histológico.
O IM é determinado utilizando-se a microscopia ótica em amostras de tumor
embebidas em parafina, coradas com hematoxilina-eosina, para contar as
figuras mitóticas. A atividade mitótica é usualmente expressa como o número
de mitoses por campo de grande aumento. Pacientes com mais de 4,5 figuras
mitóticas por 10 campos de grande aumento, possuem um risco de morte
aumentado em 2,8 vezes em análises multivariadas. O IM em combinação com
outras características histopatológicas, é um componente de inúmeros índices
prognósticos.
Fração da Fase S pela Citometria
de Fluxo
A citometria de fluxo pode medir o conteúdo de DNA das células,
determinando em que fase do ciclo celular encontra-se a célula, e pode
caracterizar o DNA em diplóide ou aneuplóide. Aproximadamente 30 a 50% dos
tumores são diplóides, sendo os demais aneuplóides em vários graus.
Geralmente, as células diplóides estão em repouso (G0) ou na primeira fase
do ciclo celular (G1). Células com o dobro da quantidade normal de DNA estão
em G2 (fase final da duplicação do DNA) ou em fase mitótica inicial (M) e as
células com quantidade intermediária de DNA estão na fase sintética do ciclo
(fase S).
A aneuploidia tende a estar associada a um tamanho tumoral e a um grau
histológico maiores, a alta fração da fase S, a um risco aumentado de
recorrência e à morte, independente da presença ou não de comprometimento
dos linfonodos axilares. Estes achados sugerem que uma fração de fase-S
elevada em conjunto com outros fatores prognósticos justifica a
administração de terapia adjuvante para pacientes com linfonodos-negativos e
tamanhos tumorais borderline. A quimioterapia parece ser igualmente
eficaz para pacientes com frações de fase S altas e baixas. Embora ainda não
exista um método padronizado e haja discordância na definição de alta ou de
baixa fração de fase S entre laboratórios, vários estudos indicam a
associação acima.
Coloração com Ki67
O Ki67 é um anticorpo monoclonal específico para um antígeno nuclear
expresso apenas em células em proliferação (G1 tardio, S, M e G2 do ciclo
celular), sendo um marcador de proliferação. Esse anticorpo pode ser
detectado por imuno-histoquímica. A coloração Ki67 se relaciona diretamente
com o tamanho do tumor, com o grau histológico pouco diferenciado, com a
invasão vascular e com linfonodos axilares comprometidos, e inversamente com
a presença de receptores de esteróides. Forte relação com frações de fase S
tem sido descritas. Vários estudos sugerem um risco aumentado de recorrência
da doença em pacientes com níveis elevados de Ki67.
RECEPTORES HORMONAIS E FATORES REGULADOS PELO ESTROGÊNIO
Receptores de Estrogênio e Progesterona
A análise dos receptores hormonais deve ser realizada em todos os tumores
primários de mama, preferencialmente por imuno-histoquímica, por constituir
um importante fator prognóstico e preditivo, constituindo um guia para a
terapêutica hormonal. Pacientes com tumores RE-positivos apresentam
intervalos livres da doença mais longos que as pacientes com tumores
RE-negativos: tumores RE-positivos apresentam intervalo livre de doença de
74% e sobrevida geral de 92% em 5 anos, enquanto tumores RE-negativos
apresentam intervalo livre de doença e sobrevida geral de 66% e 82%,
respectivamente. É possível que a presença de receptores para estrógeno e
progesterona seja preditor de um comportamento tumoral mais indolente, de
crecimento tumoral mais lento, com maior intervalo para surgimento de
recorrência.
O estado do RP está mais associado à sobrevida total, talvez por ser um
melhor indicador da resposta à terapia endócrina após a recorrência da
doença. Níveis de RE e RP estão forte e inversamente relacionados com
medidas de proliferação e diretamente relacionados com o grau histológico.
As concentrações de RE aumentam quase linearmente com o aumento da idade,
enquanto os níveis de RP dependem mais do estado da menopausa.
A presença de RE ou RP é um poderoso fator preditivo de benefício ao
tratamento adjuvante com tamoxifeno, significando uma redução proporcional
do risco de recorrência e mortalidade em 5 anos de 47% e 26%,
respectivamente. A redução proporcional da mortalidade foi similar para
pacientes com linfonodos-negativos e linfonodos-positivos. Cinco anos de
tamoxifeno adjuvante também representa uma redução proporcional de 47% no
risco de câncer de mama contralateral.
FATORES DE CRESCIMENTO E RECEPTORES
Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico
O Receptor do Fator de Crescimento Epidérmaico (EGFR) é uma glicoproteína
transmembrana, presente em pequenos níveis nas células epiteliais da mama
normal. Trinta e cinco a 60% dos cânceres de mama super-expressam o EGFR, o
qual parece ter um efeito estimulador sobre o crescimento de alguns
carcinomas de mama. Existe uma relação negativa entre o EGFR e o estado dos
receptores hormonais, sendo a super-expressão de EGFR associada com a
ausência do RE ou do RP e baixa resposta ao tamoxifeno. Sua maior
positividade apresenta associação positiva com pior grau tumoral e índices
de proliferação aumentados. Pode ser relacionado à super-expressão de p53
anormal e de fatores angiogênicos. Vários estudos têm mostrado que tumores
expressando EGFR são mais predispostos a serem resistentes a terapia
endócrina.
bcl-2
O bcl-2 tem sido descrito como um marcador de bom prognóstico e boa resposta
ao tamoxifeno. A presença de bcl-2 correlaciona-se com a positividade para
RE e maior intervalo livre da doença.
HER-2/neu
O proto-oncogene Her-2/neu (c-erbB-2) está localizado no 17q21 e
codifica uma glicoproteína transmembrana, p185HER2, com atividade semelhante
ao receptor do fator de crescimento epidérmico. A proteína HER-2/neu
é expressa em níveis baixos nas células epiteliais e mioepiteliais do tecido
mamário normal. Está amplificado e/ou super-expresso em aproximadamente 30%
dos tumores de mama.
A super-expressão está relacionada a maior grau histológico, aumento da
agressividade tumoral, redução da sobrevida e aumento da recorrência e
mortalidade. Associado a elevada resposta a regimes terapêuticos contendo
doxorrubicina e baixa resposta a tratamentos com metotrexate e moduladores
do receptor hormonal como tamoxifeno, ainda com dados conflitantes.
Na doença metastática, a presença de super-expressão de HER2/neu é um
preditor de resposta a um anticorpo humanizado, trastuzumab (HerceptinTM),
com taxas de resposta de 11,6% com uma remissão completa, sem progressão do
tumor por > 24 meses e 37% das pacientes com resposta mínima ou doença
estável.
GENES SUPRESSORES TUMORAIS
p53
Aproximadamente 14% a 26% dos carcinomas de mama apresentam mutações do gene
supressor tumoral p53, associado com elevado grau histológico e maior
agressividade clínica.
O gene supressor tumoral p53 está localizado no 17p13 e codifica uma
fosfoproteína nuclear. A super-expressão do p53 determinada pela
imunohistoquímica é relativamente independente do estado dos linfonodos
axilares e do estado da menopausa, fracamente associada ao tamanho tumoral e
é fortemente associada à ploidia do DNA, a medida da proliferação, aos
receptores hormonias e ao grau nuclear.
PERFIL GENÉTICO
A possibilidade de que muitas pacientes com câncer de mama possam ser
super-tratadas tem levado a pesquisa de novas tecnologias com potencial para
redefinir diagnóstico e melhorar a acurácia dos preditores de prognóstico e
resposta terapêutica. Uma destas tecnologias é a aplicação de microarranjos
de DNA (microarrays) na análise de tecidos humanos. Os microarranjos
de DNA consistem em oligonucleotídeos ou probes de DNAc para medir a
expressão de centenas ou milhares de genes (na forma de RNAm).
A análise dos microarranjos no câncer de mama tem identificado perfis de
expressão gênica capazes de separar classes tumorais de acordo com a
sobrevida livre de doença e sobrevida geral dos pacientes. Como exemplo, um
perfil de expressão já em estudo, distingue tumores RE-positivos de
RE-negativos, classificando-os nos subtipos luminal (predominantemente
RE-positivo) e basal (predominantemente RE-negativo). A partir das análises,
observa-se que o grupo luminal apresenta melhores desfechos em relação a
sobrevida.
A análise de microarranjos poderá ser usada para identificar um perfil de
expressão-gênica que represente fenótipos clínicos de carcinomas de mama,
oferecendo informações prognósticas e preditivas para cada caso como
resistência e sensibilidade a terapias específicas, capacidade de invasão e
potencial metastático.
Os fatores prognósticos e preditivos representam um ponto importante para
estabelecer medidas terapêuticas adjuvantes apropriadas para o manejo do
câncer de mama, especialmente nas pacientes com linfonodos-negativos. Apesar
dos inúmeros estudos e dos avanços no conhecimento dos fatores prognósticos,
nossa capacidade em determinar quais pacientes irão desenvolver doença
metastática sem terapia adjuvante, ou qual o melhor tipo de terapia
adjuvante para cada caso individualizado permanece com muitas limitações até
o presente momento. Na prática investigamos cinco marcadores biológicos que
auxiliam na orientação e escolha do tratamento adjuvante mais adequado para
cada paciente: receptor estrogênico, receptor de progesterona, c-erbB-2, p
53 e Ki67.
Classificação
proposta pela OMS
1. Tumores
epiteliais
Não-invasores
1.1 Carcinoma
ductal in situ
1.2 Carcinoma
ductal in situ com doença de Paget
1.3 Carcinoma
lobular in situ
Invasores
1.4 Carcinoma
ductal invasor
1.5 Carcinoma
ductal invasor com Doença de Paget
1.6 Carcinoma
lobular invasor
1.7 Carcinoma
medular
1.8 Carcinoma
mucinoso
1.9 Carcinoma
papilífero invasivo
1.10
Carcinoma tubular
1.11
Carcinoma adenóide cístico
1.12 Carcinoma secretor (juvenil)
1.13 Carcinoma apócrino
1.14 Carcinoma com metaplasia
1.15 Carcinoma com células gigantes
tipo osteoclastos
1.16 Carcinoma com diferenciação
endócrina
1.17 Carcinoma rico em glicogênio
1.18 Carcinoma rico em lipídios
1.19 Carcinoma cribriforme invasivo
2. Carcinoma com apresentação clínica não-usual
2.1 Carcinoma inflamatório
2.2 Carcinoma na gravidez e na lactação
2.3 Carcinoma oculto com metástases
axilares
3. Tumores mistos (epitelial e
mesenquimal)
3.1 Tumor filodes
4. Tumores mesenquimais
4.1 Angiossarcoma
4.2 Fibrossarcoma
4.3 Leiomiossarcoma
4.4 Condrossarcoma
4.5 Osteossarcoma
4.6 Hemangiopericitoma
4.7 Dermatofibrossarcoma protuberante
5. Tumores de pele na mama
5.1 Melanoma maligno
5.2 Carcinoma escamocelular
5.3 Carcinoma basocelular
6. Tumores linfóides e hematopoiéticos
6.1 Linfoma não-Hodgkin
6.2 Plasmocitoma
6.3 Infiltração por leucemia
6.4 Doença de Hodgkin
Freqüência
de acometimento linfonodal relacionado ao tamanho tumoral
<1 cm 20%
1-1,9 cm
33%
2-2,9 cm
45%
3-3,9 cm
52%
4-4,9 cm
60%
> 5 cm 70%
Sobrevida
em 5 anos relacionada a tamanho tumoral e a linfonodos axilares
Tamanho
negativos LN 1 a 3+ LN
4 ou +
<1 cm
98%
95% 54%
1-1,9 cm
95,8% 86,6%
67%
2-2,9 cm
92,3% 83.4%
63%
3-3,9 cm
86,2% 79%
57%
4-4,9 cm
84,6% 69,8%
52,6%
> 5 cm
82,2% 73%
45,5%
Fonte: Carter, C. Relation of
tumor size, lymph node status, and survival in 24740 breast cancer
cases. Câncer
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Maunsell E, Drolet M, Ouhoummane N, et al. Breast
câncer survivors accurately reported key treatment and prognostic
characteristics. Journal of Clinical Epidemiology 2005;58:364-69.
|
Carcinoma"in situ"da
mama |
Carcinoma Invasor |
| As
células cancerosas estão confinadas dentro dos ductos e NÃO os tecidos
ao seu redor. O Carcinoma Ductal "in situ" (CDIS)é a forma mais comum de
carcinoma não invasor da mama(90%). O Carcinoma Lobular "in situ" (CLIS)
é menos comum e é considerado um marcador de risco para o
desenvolvimento de câncer.. |
As células cancerosas
rompem as paredes dos ductos e lóbulos e invadem os tecidos vizinhos.(
gordura e tecido conjuntivo).O Câncer pode ser invasor sem ser
metastático (ter se espalhado) aos linfonodos e outros órgãos. |
|