|
O diagnóstico se
inicia pelo que chamamos de anamnese que é a coleta de dados sobre
seus sinais e sintomas ou suas queixas clínicas.
Além dos aspectos gerais de qualquer história
clínica, devem ser enfatizados os seguintes pontos:
 |
nódulo:
data da percepção, velocidade de crescimento, localização, consistência e
relação com traumatismos ou ciclo menstrual; |
 |
dor: data
do início, intensidade, localização, irradiação, relação com atividade
física, ciclo menstrual e traumatismo, presença de hipertermia, uso de
fármacos; |
 |
derrame
papilar: início, cor, uni ou multiductal, espontâneo ou provocado
(geralmente só o espontâneo tem valor semiótico), uni ou bilateral, uso de
medicamentos; |
 |
antecedentes gineco-obstétricos: idade da menarca e menopausa, uso de
hormônios , a paridade e a idade da primeira gestação a termo. Lactações:
duração e intercorrências; |
 |
antecedentes mastológicos: cirurgias prévias (estéticas, diagnósticas),
punções, mamografias prévias e tratamentos efetuados; |
 |
antecedentes familiares: pesquisar carcinoma de mama e eventual associação
com ovário e cólon na família, inclusive na linhagem paterna. Verificar a
idade e a ocorrência de bilateralidade; |
 |
perfil psicossocial: tabagismo (quantidade
e duração), uso de álcool e drogas. |
Exame físico
Começar pela inspeção
estática, com a paciente sentada, os braços pendentes, diante de boa
iluminação. Observar o volume, a forma e a simetria das mamas, assim como
alterações da rede venosa, da pele e do complexo aréolo-mamilar. Procurar
retrações ou abaulamentos. A seguir, passa-se à inspeção dinâmica,
pedindo que a paciente eleve os braços acima da cabeça ou os repouse sobre a
mesma. Pesquisar novamente retrações, abaulamentos e assimetrias. Repetir o
exame com a paciente apertando os quadris, a fim de contrair os peitorais.
Uma inclinação do tronco para frente acentua os achados. Conclui-se o exame
físico pela palpação. Com a paciente ainda sentada, palpam-se as
fossas supraclaviculares de frente ou, se possível, por abordagem posterior,
ficando o examinador às costas da examinada. Prossegue-se com a palpação das
regiões axilares, que deve ser feita com o braço da paciente apoiado no
ombro do médico ou segurado por este, para relaxar a musculatura peitoral.
Explora-se a axila com movimentos de cima para baixo, como se estivesse
"escavando" a mesma, exercendo suave pressão contra a parede torácica. Às
vezes, é necessário executar esses movimentos com maior vigor e trazer o
membro superior da paciente em direção à linha média para facilitar o
relaxamento muscular. A palpação das mamas é feita com a paciente deitada,
as mãos atrás da cabeça, seguindo-se, de preferência, o sentido horário. O
examinador deve postar-se sempre do lado a ser palpado. Primeiro, de forma
suave, deslizando as polpas digitais em busca de nódulos, adensamentos e
irregularidades do parênquima e, depois, de modo mais firme, pressionando
contra os planos profundos, nunca esquecendo a região areolar. Finalmente,
quando a queixa é derrame papilar, procede-se à expressão radiada para
identificar o setor comprometido a fim de orientar uma eventual cirurgia. O
exame tem melhor rendimento na primeira fase do ciclo, de modo que, se
houver dúvidas diagnósticas e a paciente estiver no período pré-menstrual,
convém repeti-lo em época mais propícia. Os nódulos são descritos como
achados palpatórios tridimensionais, enquanto os adensamentos
(espessamentos) são perceptíveis apenas em duas dimensões. Essas alterações
são mais suspeitas quando isoladas, solitárias, pois, de maneira geral, em
semiologia da mama, tudo o que se repete tranqüiliza.
Diagnóstico por Imagem
Texto: Jorge Villanova
Biazús e Ângela Erguy Zucatto
Os exames
complementares por imagem desempenham importante papel no rastreamento, na
propedêutica complementar de pacientes com sinais ou sintomas mamários,
assim como no seguimento de pacientes com patologias mamárias.
O câncer de
mama representa a principal causa de morte por câncer entre as mulheres
brasileiras, sendo o tipo de câncer mais incidente na cidade de Porto
Alegre. (9)
Vários
exames de imagem podem ser aplicados na avaliação das mamas. Atualmente a
mamografia e a ultrassonografia mamária são os mais importantes; outros
como: ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons (PET)
estão em franco desenvolvimento e em breve poderão ser incorporados a na
propedêutica de rotina.Vamos abordar mais detalhadamente os três principais.
MAMOGRAFIA
A abordagem de doenças
de natureza neoplásica requer o desenvolvimento de técnicas que permitam um
diagnóstico cada vez mais precoce das neoplasias, preferencialmente, ainda
em fase pré-clínica.
> Indicações
Rastreamento
Há evidências
científicas suficientes para justificar o rastreamento periódico do câncer
de mama com mamografia. A mamografia é o exame mais confiável para a
detecção do câncer de mama pré-clínico, sendo o único exame de imagem
apropriado para rastreamento de carcinoma mamário(1,6,9). Ensaios clínicos
randomizados e estudos observacionais demonstraram que a detecção precoce do
câncer de mama reduz a mortalidade e melhora a sobrevida de mulheres entre
50-74 anos(2,7,9). Apesar da diminuição de mortalidade ser inferior na faixa
etária entre 40-49 anos,de acordo com diretrizes internacionais e o Projeto
Diretrizes do Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira,
recomendamos o rastreamento anual a partir dos 40 anos de idade.
A mamografia permanece
com a única modalidade de "screening" que demonstrou diminuir a mortalidade
por câncer de mama (5).
A mamografia tem nos
possibilitado oferecer a uma importante parcela das pacientes com câncer de
mama um diagnóstico muitas vezes ainda em uma fase inicial, ou mesmo,
pré-invasora. Isto repercute intensamente no prognóstico dessas pacientes
que podem chegar a altos índices de cura com tratamentos cirúrgicos
conservadores e, muitas vezes, sem necessidade de tratamentos adjuvantes
sistêmicos.
Em pacientes com
familiar de primeiro grau afetadas pelo câncer de mama, o rastreamento
imagenológico deve iniciar 10 anos antes da idade em que a familiar teve o
diagnóstico (9).
Para as pacientes portadoras de mutações
nos genes BRCA1 ou 2, é recomendado o "screening" a partir dos 30 anos de
idade. (5)
Avaliação
complementar
Está indicada a
avaliação mamográfica em toda paciente com alguma queixa mamária.
A cancerofobia
pode também justificar a realização do exame por pacientes assintomáticas.
Seguimento
Pacientes com
patologias mamárias sem indicação cirúrgica necessitam acompanhamento
mamográfico e/ou ultrassonográfico a espaços de tempo determinados pela
natureza da lesão que está sendo acompanhada.
Pacientes, por exemplo, com
mamografia classificadas como BIRADS 3 (achados provavelmente benignos), têm
indicação de nova avaliação mamográfica no prazo máximo de 6 meses.
O seguimento de pacientes com
câncer de mama ou mesmo com alterações mamárias proliferativas quaisquer com
a mamografia é de fundamental importância. Pacientes com câncer de mama têm
risco de recidiva na mama submetida a tratamento conservador , assim como de
acometimento da mama contra-lateral. Essa é a recorrência passível de cura;
portanto, o diagnóstico precoce da recorrência local também ´´e fundamental.
Assim o seguimento destas pacientes com câncer da mama em estágios I e IIA,
é realizado com base em mamografias seriadas a cada 6 meses nos dois
primeiros anos e após: anualmente.
> Técnica
A mamografia será,
sempre que possível, bilateral e constituída de quatro clichês: dois na
incidência oblíqua-médio-lateral (OML) e dois na incidência crânio-caudal
(CC). O exame deve ser sempre comparativo entre os dois lados e com os
anteriores. Na incidência OML é sempre importante visualizarmos a
musculatura peitoral até, pelo menos, a metade da mama para que tenhamos
certeza de que tecido mamário não deixou de ser avaliado. Na incidência
crânio-caudal também deve incluir todo o corpo da glândula com a gordura
retro-mamária medial e lateral.
Incidências adicionais podem
ser feitas conforme o caso: magnificação, compressão focal, perfil 90º . (6)
A magnificação visa a
melhor definição de detalhes, incluindo informações mais detalhadas numa
mesma área de filme.
A compressão focal
dispersa o parênquima facilitando a diferenciação entre áreas densas que
resultam da soma de imagens sobrepostas de áreas de distorções
parenquimatosas reais.(6)
A Incidência em 90º, nos
permite localizar melhor lesões, assim como contribui no diagnóstico de
microcalcificações intracísticas. (6)
O laudo mamográfico
deve seguir as orientações do Colégio Americano de Radiologia que classifica
os resultados da mamografia conforme o sistema de BIRADS ( Breast Imaging
Reporting and Data System), explicitado no quadro a seguir.
|
BIRADS |
ACHADO MAMOGRÁFICO |
RISCO DE MALIGNIDADE |
SEGUIMENTO |
|
BIRADS 0 |
necessidade de complementação |
|
solicitar ultrassonografia e/ou
incidências complementares, ampliações ou compressões focais |
|
BIRADS 1 |
mamografia normal |
|
anual |
|
BIRADS 2 |
achados benignos |
|
anual |
|
BIRADS 3 |
achados provavelmente benignos |
2% |
semestral |
|
BIRADS 4
(A,B,C) |
achados suspeitos para malignidade
A – baixa suspeita
B – intermediária suspeita
C – moderada suspeita |
5%(2-10)
25%(11-40)
70%(41-74)
|
avaliação histológica |
|
BIRADS 5 |
achados altamente suspeitos para
malignidade |
85% |
avaliação histológica |
|
BIRADS 6 |
malignidade já comprovada |
|
conforme o caso |
Sempre que a lesão em
questão tratar-se de nódulo de mama, devemos solicitar ultra-sonografia para
definirmos se estamos frente a um nódulo sólido ou uma lesão cística.
A sensibilidade e a
especificidade da mamografia é diretamente influenciada por características
da paciente e do próprio tumor. A idade parece ser o fator mais importante,
é sabido que em pacientes jovens, com mamas densas, há menor acuidade do
método. Na medida em que se instala o processo de lipossubstituição do
parênquima mamário a mamografia vai aumentando sua eficácia.
De um modo geral, a
mamografia tem uma sensibilidade em torno de 90%. Não podemos esquecer que a
qualidade d equipamento utilizado e a experiência do examinador também têm
influência direta na sensibilidade do exame. (6)
MAMOGRAFIA DIGITAL
Embora apresente vantagens
como: redução na repetição de imagens, armazenamento digital, possibilidade
de transmissão digital e avaliação à distância, otimização da imagem para
auxiliar a interpretação e visualização de lesões; ainda não apresentou-se
como superior em qualidade à mamografia usual que utiliza filmes. (5,6)
Espera-se, entretanto, que a
evolução tecnológica nos ofereça detectores cada vez mais evoluídos, com
capacidade de reconhecimento de detalhes cada vez maiores. (6)
Existem situações especiais
em que a mamografia apresenta menor sensibilidade e especificidade como em
mamas densas, irradiadas, operadas e com implantes mamários.
Nesses casos, devemos lançar mão de outros métodos diagnósticos por imagem
como ultrassonografia e ressonância magnética na complementação da avaliação
por imagem.
ULTRASSONOGRAFIA
Não há respaldo algum
na literatura para que a ultra-sonografia seja solicitada de rotina no
rastreamento do câncer de mama. A ultra-sonografia mamária deve ser
empregada e interpretada sempre em conjunto com a mamografia. (6,8.9)
É o segundo método de imagem
em importância na propedêutica mamária. Com o desenvolvimento de parelhos de
alta resolução na década de 80, a ultra-sonografia mamária tornou-se
importante no diagnóstico precoce do câncer de mama sendo parte fundamental
na avaliação diagnóstica de alterações mamárias focais. (8) Suas principais
indicações estão listadas a seguir:
|
INDICAÇÕES |
|
diferenciação entre lesões sólidas e
císticas |
|
avaliação de mamas densas |
|
detecção de lesões intra-císticas |
|
punção e demarcação pré-operatória de
lesões impalpáveis |
Em mamas densas, a
ultra-sonografia pode trazer informações importantes na comprovação da
existência de uma lesão suspeita. Tem como grande limitação o fato de não
identificar microcalcificações e de ser examinador e equipamento dependente
(6,8).
A diferenciação entre
as variações normais do tecido mamário e as alterações patológicas pode ser
difícil. Na avaliação de nossas pacientes, é fundamental estarmos
familiarizados com os aspectos ultrassonográficos das lesões mamárias
benignas e malignas. (8)
|
LESÃO BENIGNA |
LESÃO MALIGNA |
|
contornos regulares / definidos |
contornos irregulares/ indefinidos |
|
diâmetro horizontal > vertical |
diâmetro vertical > horizontal |
|
reforço acústico posterior |
sombra acústica posterior |
|
homogênea |
heterogênea |
Salientamos que nenhum
critério ultrassonográfico permite uma diferenciação 100% segura entre um
achado maligno ou benigno. A avaliação deve ser feita rotineiramente em
conjunto com a mamografia.
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA
A ressonância magnética (RM)
pode ser contrastada ou não. A RM sem contraste é empregada exclusivamente
na avaliação de pacientes com prótese mamária, tendo demonstrado ser o
método de maior acurácia na identificação de defeitos, extravasamentos e
rupturas. (6)
A utilização da
ressonância magnética na detecção de carcinoma mamário foi descrita pela
primeira vez nos anos 80 e tem se desenvolvido como uma modalidade
promissora na detecção precoce do câncer de mama, principalmente em
pacientes jovens de alto risco. (7)
A RM tem uma
sensibilidade de 96% e uma especificidade de 72% em diferenciar lesões
mamárias benignas de malignas.(7) As lesões que se impregnam pelo contraste
rapidamente (menos de 2 minutos) e rapidamente retomam sua característica
basal (em menos de 5 minutos) costuma se correlacionar com alterações
neoplásicas malignas. Enquanto isso, as lesões que se impregnam progressiva
e lentamente pelo contraste costumam ter natureza benigna.
Pacientes de alto risco para
câncer de mama, costumam apresentar a doença mais precocemente, quando as
mamas ainda são densas e a sensibilidade da mamografia está prejudicada. A
ressonância magnética é, provavelmente, a ferramenta mais sensível na
avaliação de um carcinoma mamário já conhecido, na extensão local da doença
e no "screening" de pacientes jovem com mutações BRCA. Contudo, sua falta de
especificidade e a falta de tecnologia que possibilite punções e biópsias
orientadas por ressonância magnética, limitam suas indicações na prática
clínica. (5) Se faz necessário desenvolver métodos que levem à diminuição
dos falso-positivos.
A ressonância
magnética tem sido utilizada cada vez mais para melhor avaliar os tumores
mamários, sua multicentricidade e a resposta à quimioterapia. (2) A RM está
indicada somente quando a avaliação do caso se encontra limitada pelos
métodos convencionais e acreditamos que a mesma possa nos trazer informações
adicionais com repercussões no manejo clínico da paciente. (6) Uma das
aplicações da ressonância magnética é para detecção de carcinomas ocultos
não identificados na mamografia. Entretanto, sua indicação deve ser
criteriosa, pois ainda não dispomos de técnicas de investigação guiadas por
RM que nos possibilitem avaliação cito e histológica das lesões
identificadas pela RM. (7)
Indicações e limitações
da ressonância magnética.
|
INDICAÇÕES |
LIMITAÇÕES |
|
mamas com prótese |
alto custo |
|
mamografia inconclusiva |
falso-positivos ( processos
inflamatórios) |
|
carcinoma oculto |
não permite documentar a retirada da
lesão |
|
derrame papilas sem tumor identificado |
não permite demarcação pré-operatória
adequada |
|
avaliação de quimioterapia
neoadjuvante |
ampla variedade de técnicas e
interpretação |
|
diagnóstico de multicentricidade |
|
|
avaliação de alteração mamográfica
suspeita visualizada em uma só incidência |
|
TOMOGRAFIA POR EMISSÃO
DE PÓSITRONS (PET)
Atualmente, não tem papel na
detecção e diagnóstico do câncer de mama, podendo ser, eventualmente,
auxiliar na identificação de disseminação tumoral à distância.
Na medida em que novos
radiotraçadores vão sendo avaliados, a possibilidade de uma aplicabilidade
maior do PET vai sendo vislumbrada. Há centenas de novos agentes biológicos
em desenvolvimento e o PET pode se tornar uma ferramenta para agentes de
screening dirigidos contra um via ou receptor específico.(5)
Como vimos, os exames de
imagem desempenham papel de fundamental importância no manejo de pacientes
com câncer de mama. A mamografia digital, a ressonância magnética e o PET
têm grande potencial, mas necessitam avaliação contínua e criteriosa para
que justifiquem a inserção destas novas tecnologias no arsenal de nossa
rotina atual.
BIBLIOGRAFIA
1. Barros ACSD, Barbosa EM, Gebrim LH.
Diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Projetos Diretrizes. Associação
Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, 2001.
2. Basilion JP. Breast imaging technology:
Current and future tchnologies for breast câncer imaging. Breast Cancer Res
2001, 3: 14-16.
3. Bénard F, Turcotte E. Imaging in breast
cancer: single-photon computed tomography and positron-emission tomography.
Breast Cancer Res 2005, 7:153-162.
4. Bolan PJ, Nelson MT, Yee D, Garwood M.
Imaging in breast cancer: Magnetic resonance spectroscopy. Breast Cancer Res
2005, 7: 140-52.
5. Esserman L. Integration of Imaging in
the Management of Breast Cancer. J Clin Oncol 2005, 23: 16001-2.
6. Heywang-Köbrunner SH, Schreer I,
Dershaw DD, Frasson A. Mama - Diagnóstico por Imagem. Rio de Janeiro:
Revinter; 1999.
7. Schall MD. Application of magnetic
resonance imaging to early detection of breast cancer. Breast Cancer Res
2001, 3: 17-21.
8. Sihn C, Hamper UM, Blohmer JU.
Ultra-sonografia da mama. Uma abordagem sistemática da técnica e
interpretação da Imagem. Rio de Janeiro 2000. Revinter.
9. UNIMED PORTO ALEGRE. Rastreamento e
diagnóstico do câncer de mama. 2005.
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